– Caramba! Ele é cego e está indo para o jogo do Vasco? Esse é torcedor de verdade – dizia, num misto de espanto e comoção, um rubro-negro dentro do ônibus no qual Rogério seguia para a partida em que o Vasco venceria o Paraná por 2 a 1, pela Série B.
Num sentimento que não para pelo Vasco, esse torcedor para lá de especial tem dois companheiros inseparáveis: o guia e concunhado Eduardo, que lhe dá a direção, e o radinho, que lhe transmite as coordenadas do espetáculo:
– Têm uns caras que não podem jogar no Vasco, como esse Matheus.
Esse foi o primeiro comentário feito por Rogério, num jogo que já se mostrava arrastado no início. E adivinhem só quem foi substituído ainda no intervalo? Pois é...
– Se quiser me perguntar alguma coisa durante a partida, não tem problema. Eu tenho essa atenção dupla, de conversar com você e, ao mesmo tempo, ouvir o jogo no rádio – comentou em seguida.
As reações são as mesmas de qualquer outro torcedor na arquibancada. Não há diferenças, pelo menos não ali, local tão democrático e cheio de vida. Um lance perigoso o faz levar as mãos ao rosto, às vezes à cabeça, seja a favor do Vasco ou contra.
– Já é o quinto jogo que venho pela Série B. E quer saber? O time é fraco. O Carlos Alberto não está jogando essa partida, mas eu o acho um enganador. Mas nada disso me faz abandonar o Vasco – declarou Rogério, que tem 27 anos.
Fonte: Lancenet


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